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LerCom a promulgação da PEC que encerra a escala 6×1 e reduz a jornada semanal para 40 horas, empresas e trabalhadores passaram a discutir os possíveis impactos da medida. Enquanto setores produtivos avaliam os desafios operacionais e financeiros da mudança, especialistas em saúde mental e gestão de pessoas ouvidos pela afirmam que jornadas menores podem favorecer o descanso, reduzir o desgaste emocional e contribuir para indicadores como engajamento, retenção de talentos e redução de afastamentos relacionados à saúde mental.
De acordo com Wysllen Thayelwisk, professor do curso de Psicologia da Estácio, o organismo humano necessita de períodos de recuperação após esforços físicos, emocionais e cognitivos. Quando esse tempo não é respeitado e o trabalhador permanece exposto a uma sequência de cobranças, prazos e responsabilidades, o risco de acúmulo de estresse aumenta.
“A redução da jornada pode ampliar as possibilidades de recuperação e também diminuir a exposição a determinados riscos de psicossociais”, afirma.
Segundo o especialista, trabalhadores com jornadas extensas precisam conciliar o tempo dedicado ao emprego com deslocamentos, atividades domésticas e responsabilidades familiares. Nesse contexto, o sono costuma ser uma das primeiras necessidades sacrificadas. Com mais tempo disponível para descanso, aumentam as chances de recuperação física e psicológica.
No entanto, o psicólogo ressalta que a redução da carga horária, por si só, não elimina riscos à saúde mental.
“No caso específico do burnout, estamos falando de um fenômeno relacionado ao estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi adequadamente administrado. Trabalhar menos horas não significa necessariamente trabalhar em melhores condições. A redução da jornada deve ser acompanhada de mudanças na organização do trabalho, sem aumento de pressão, exigências e metas. Não podemos confundir redução da jornada com intensificação do trabalho. Se as exigências permanecerem excessivas, o sofrimento pode continuar”, destaca.
Para Maria Candida Baumer de Azevedo, CEO da People & Results, mestre em Cultura Organizacional e PhD em Carreira, jornadas menores também podem trazer reflexos positivos para o ambiente corporativo. “A jornada menor pode contribuir para o engajamento, a atração e a retenção de talentos”, comenta.
Segundo ela, colaboradores com mais tempo para descanso e vida pessoal tendem a preservar melhor sua capacidade de concentração, tomada de decisão e resolução de problemas.
“Descanso não é o oposto de produtividade. É uma das condições para que as pessoas consigam sustentar seu desempenho ao longo do tempo”, diz.
A executiva também destaca que melhores condições de recuperação física e mental podem reduzir faltas e afastamentos. “Uma pessoa exausta pode continuar trabalhando, cumprindo horários e participando de reuniões. Mas estar presente não significa estar em condições de entregar o seu melhor”.
Os efeitos da redução da jornada tendem a ser mais perceptíveis em atividades marcadas por jornadas extensas, escalas de trabalho e menor autonomia sobre os horários. Segundo Azevedo, profissionais do comércio, alimentação, hotelaria, limpeza, segurança e saúde estão entre os que podem sentir mais rapidamente os benefícios relacionados ao descanso e à vida pessoal.
“Pessoas que trabalham seis dias por semana podem sentir uma diferença importante ao ganhar mais tempo para descanso e vida pessoal. Isso também pode fazer diferença para quem acumula responsabilidades de cuidado com filhos, idosos ou outros familiares”, afirma.
A especialista ressalta, porém, que os impactos podem variar de acordo com fatores como intensidade do trabalho, tempo de deslocamento e condições oferecidas pelo empregador. “Duas pessoas com a mesma carga horária podem ter experiências muito diferentes”.
Fonte: matéria publicada originalmente em pegn. Reproduzimos o conteúdo aqui, com crédito ao veículo de origem.
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