Vaga de lavador de pratos que paga R$ 250 por hora atrai demitidos de tecnologia, mas maioria não tem qualificação

Profissionais demitidos do setor de tecnologia no Vale do Silício estão disputando uma vaga incomum na Baía de São Francisco, nos Estados Unidos: lavador de pratos. A alta procura começou após o restaurante vietnamita Pho de Nguyen publicar no Instagram uma oportunidade de trabalho com remuneração de US$ 50 por hora (cerca de R$ 256, na cotação de R$ 5,12).

Segundo informações apuradas pelo New York Post, a oferta atraiu centenas de currículos, mas o proprietário do estabelecimento afirma que a maior parte dos candidatos que saíram das empresas de tecnologia não atende às exigências da função.

“A maioria não tem as qualificações necessárias”, disse o proprietário Phong Nguyen em entrevista sobre a seleção. “Estamos procurando atletas. Basicamente, parei de deixar as pessoas nos usarem como trampolim.”

O estabelecimento fica a poucos passos da sede da Uber, empresa que recentemente passou por cortes de pessoal. O anúncio viralizou e já soma dezenas de milhares de visualizações, gerando surpresa entre os usuários pelo valor oferecido. Na Califórnia, o salário mínimo estadual está fixado em US$ 17,40 por hora (cerca de R$ 89,09).

De acordo com Nguyen, o valor elevado tem justificativa: a escala cobre as noites de sexta-feira e sábado, os períodos de maior movimento da casa. Além disso, as atribuições vão muito além da pia.

“Você provavelmente vai passar metade do tempo lavando pratos, depois limpando mesas, preparando pratos, fazendo o que for preciso”, explicou Nguyen, que é ex-economista e também assume a limpeza de pratos durante o expediente. “Não temos garçons. Fazemos tudo.”

A repercussão gerou uma enxurrada de mensagens diretas e comentários de interessados dispostos a mudar de ramo ou a trocar seus empregos atuais pelo turno no restaurante. Para lidar com o volume de candidatos, o empresário organizou uma seleção aberta para avaliar pessoalmente quem tem o perfil adequado.

Nguyen destacou que busca estabilidade e comprometimento a longo prazo, algo difícil de encontrar em uma região marcada pela alta rotatividade de mão de obra.

“Pessoas com vidas mais estáveis e simples são as que gostam do trabalho e ficam por mais tempo. Algumas têm família e estão apenas tentando pagar o aluguel, e há pessoas que estão pulando da área de tecnologia para o ramo de restaurantes e para o que quer que apareça em seguida”, afirmou Nguyen.

Apesar da rotina puxada para triar centenas de inscritos, o empreendedor comemorou o alcance do anúncio e reforçou que pretende manter o processo seletivo até achar o profissional ideal para a equipe.

Fonte: matéria publicada originalmente em pegn. Reproduzimos o conteúdo aqui, com crédito ao veículo de origem.

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