Depois de quase duas décadas em uma multinacional de cosméticos, Giselle Freitas, 46 anos, decidiu que era hora de mudar de vida. A executiva, que morava em Brasília (DF), aproveitou as transformações provocadas pela pandemia para voltar à cidade natal, Recife (PE), ficar mais perto da família e iniciar uma transição de carreira.
Ao mesmo tempo, a amiga de longa data Juliana Queiroz, 43, ex-procuradora municipal, também repensava a vida profissional após dedicar alguns anos à maternidade. Em comum, as duas descobriram um desejo: empreender no mercado de beleza.
A conversa que mudou o rumo da dupla aconteceu durante um café. “Eu estava pensando no que faria nessa transição de carreira. Queria continuar produzindo, mas com mais qualidade de vida. A Juliana também vivia um momento parecido e queria voltar ao mercado. Quando conversamos, percebemos que estávamos buscando a mesma coisa”, conta Giselle Freitas.
Enquanto pesquisavam possibilidades, Juliana Queiroz recebeu a indicação da Bessie Beauty Club, rede pernambucana de fast beauty que começava a estruturar seu modelo de franquias. As duas entraram em contato com as fundadoras e enxergaram afinidade tanto com o modelo de negócio quanto com os valores da empresa.
“Fomos a primeira franquia da marca. Foi uma aposta dos dois lados. Elas ainda estavam aprendendo o processo de franquear e nós, começando como franqueadas. Foi uma troca feliz, tanto que agora estamos abrindo a segunda unidade”, afirma Freitas.
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Mais do que o formato operacional, a empreendedora afirma que a identificação com a história da marca foi determinante para a escolha do investimento. “Quando conhecemos as fundadoras, nos conectamos muito com o propósito delas. Era um momento em que nós duas buscávamos um trabalho que permitisse conciliar carreira e vida pessoal. Ver mulheres construindo uma marca forte, inspirada na história da própria família, fez muito sentido para nós”, diz.
A primeira loja foi inaugurada em agosto de 2023, no bairro de Casa Forte, na Zona Norte do Recife. Em outubro deste ano, elas inauguram uma segunda operação na Madalena, na mesma região da capital pernambucana. A escolha por permanecer pelos arredores foi estratégica.
“Optamos por uma área com alto potencial de consumo e próxima de onde moramos. Para um negócio dar certo, principalmente no início, é fundamental que os donos estejam muito presentes na operação”, afirma Freitas.
Decisões compartilhadas
Hoje, o salão reúne cerca de 20 colaboradores, um time majoritariamente feminino. Embora a franquia já tivesse processos estruturados, a implantação trouxe desafios para a dupla. Um dos principais foi entender o funcionamento do franchising e adaptar a gestão de uma equipe formada por profissionais parceiros que atuam como microempreendedores individuais (MEIs).
“Tivemos de aprender desde a implantação da loja até a gestão das pessoas. Havia algumas inseguranças naturais, mas a franqueadora esteve muito próxima durante todo o processo. Esse acompanhamento fez muita diferença para que a gente engrenasse rapidamente”, afirma Giselle Freitas.
A sintonia entre as sócias pavimentou o caminho para o crescimento. Três anos depois da inauguração da primeira unidade, elas afirmam que o grande aprendizado foi entender que abrir uma franquia exige planejamento financeiro e paciência para amadurecer a operação.
“É preciso conhecer muito bem a marca antes de investir, entender qual será o suporte oferecido e ter clareza sobre o retorno esperado. Também aprendemos que os primeiros seis meses são decisivos para consolidar a operação. É preciso controlar a ansiedade, preservar o capital de giro e deixar o negócio ganhar força antes de começar a retirar recursos”, diz Freitas.
Na rotina da empresa, as funções são divididas, mas as decisões são cem por cento compartilhadas. Freitas responde pela gestão financeira, compras, estoque e operação. Queiroz lidera as áreas de recursos humanos e contratações.
Freitas afirma que existe uma divisão porque ela facilita a organização, mas a gestão é totalmente compartilhada. As duas conversam o tempo inteiro, vão à loja diariamente e conhecem a maior parte da clientela pelo nome.
O modelo da Bessie Beauty Club aposta em serviços rápidos, sem necessidade de agendamento. As clientes podem chegar ao salão e realizar procedimentos como manicure, pedicure, escova, hidratação, maquiagem e design de sobrancelhas, muitas vezes de forma simultânea. A proposta é que o atendimento seja concluído em até 45 minutos.
No ponto da Casa Forte, que funciona de domingo a domingo, o tíquete médio é de R$ 260. Entre os serviços mais procurados estão manicure e escova – este, favorecido pelo preço fixo, independentemente do comprimento do cabelo, o que estimula visitas frequentes ao salão.
Com a segunda loja prestes a abrir as portas, as sócias já pensam nos próximos passos. “Nosso objetivo é chegar a três unidades. Acreditamos que esse é um horizonte possível considerando o crescimento que tivemos desde a primeira loja”, afirma Freitas.
A expectativa acompanha o ritmo de expansão. Com as duas operações em funcionamento ao longo de 2027, a projeção é encerrar o próximo ano com faturamento de R$ 2,5 milhões.