A mistura entre tatuagens e eventos, sobretudo de músicas, vem se provando de sucesso na vida de Rodrigo Dias. Desde 2022, quando o fundador do Venice Ink Tattoo decidiu unir estes dois universos no festival MITA, no Rio de Janeiro, ele já percebeu o potencial de alavancar o seu negócio e de conectá-lo com celebridades que, antes, pareciam estar muito distantes.
Foi nessa ocasião, por exemplo, que ele tatuou o irmão da cantora Lana Del Rey. De lá para cá, foram os festivais que proporcionaram outros encontros estrelados, como com Pabllo Vittar, Luísa Sonza e Djonga. Mas, para ele, a perspectiva de realização de seus sonhos só está começando.
No Rock in Rio 2026, que começou na sexta-feira (4/9) na capital carioca e vai até o próximo fim de semana, o empresário mira não só no headliner estrelado do festival, mas nos nomes que estrelam os tradicionais “dias do rock”.
“Nós ainda somos roqueiros antigos”, comenta Dias entre risadas sem jeito antes de revelar que ele é “super fã” do Foo Fighters, bem como de outras bandas como Bring in the Horizon, Avenged Sevenfold e Sepultura. Mas a animação do empresário para essa edição do RiR não é justificável somente pelo line-up.
Neste ano, o Venice Ink, estúdio de tatuagem fundado por ele em 2014, se tornou fornecedor oficial do festival. Na prática, isso significa que qualquer empresa que queira incluir tatuagens dentro das ativações precisa entrar em contato com o empresário, já que ele é o responsável e fornecedor desse serviço.
“Isso é o nosso troféu do Oscar”, brinca. “É o maior evento de música da América Latina, a maior vitrine e reconhecimento que a gente poderia ter”. Na última edição, em 2024, o estúdio também esteve presente no festival em uma ativação da Volkswagen, onde foram feitas 900 tatuagens durante todo o evento.
Dessa vez, o Venice Ink ganhou um estande próprio na Cidade do Rock, localizado ao lado do palco mundo, que conta com a presença de 15 tatuadores e 10 membros da equipe, incluindo time administrativo, de marketing e de mídias sociais.
Além desse espaço, ele também estará em uma ativacao da Estácio, onde terá outros dois tatuadores, uma vez que se tornou o fornecedor oficial de tatuagens no evento. Em todos os dias do festival, Dias afirma que o objetivo é realizar 2 mil tatuagens, sendo entre 1,2 mil e 1,5 mil no estande próprio e o restante na ativação.
Diferentemente de outros eventos em que o estúdio está presente, no espaço no RiR, o cliente terá a opção de escolher entre dois modelos: flash tattoos e desenhos autorais. O primeiro são desenhos prontos e pequenos que, segundo a curadoria do Venice, fazem referência tanto ao mundo da música, ao Rock in Rio e aos artistas que irão se apresentar. São mais de 500 opções a serem escolhidos.
Já no modelo autoral, o tatuador desenha, ao vivo, uma criação própria com base em uma referência ou em uma ideia. O tíquete médio desses é de R$ 350, o que Dias revela ser abaixo do que é cobrado na loja do estúdio, localizada no bairro Jardins, em São Paulo.
Tornar o produto mais acessível, contudo, faz parte do objetivo de “marcar esse momento legal, garantir que a pessoa tenha uma tatuagem por um valor legal e com uma qualidade boa”.
Lucro indireto pela exposição de imagem
Instalar quase 30 pessoas da equipe no Rio de Janeiro, garantir regulamentações sanitárias, higiênicas, de segurança do estande e todas as documentações necessárias para abrir o Venice Ink no Rock in Rio não é uma tarefa simples ou barata. O segredo, no caso de Dias, para conseguir realizar esse projeto, são as parcerias com outras empresas.
“O custo bruto estimado para colocar essa estrutura de pé, para todos os sete dias, é de R$ 200 mil a R$ 300 mil. Mas consegui fechar parcerias e patrocínios de marcas que vão vir junto com a gente”, diz. O empresário não soube mensurar quanto, mesmo com as colaborações, custa estar no evento, ou ainda quanto o estúdio irá lucrar no final do RiR.
Para ele, o objetivo principal de estar ocupando este espaço não é o financeiro. “Não acho que é um super lucro, mas quando a gente fala de exposição de marca, isso sim traz um número bem legal”, ressalta, celebrando o “alcançe nacional” garantido com o festival.
A visão a longo prazo de Dias ao pensar na visibilidade que o Rock in Rio traz não é ao acaso. Hoje, 50% do faturamento anual da empresa vêm da participação em eventos, o que, de acordo com o empresário, corresponde a entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões.
A expectativa é que, até o fim de 2026, o estúdio ultrapasse os 350 eventos. No ano passado foram 93. Além da presença em festivais de música, o Venice Ink também passou a ocupar espaços em camarotes de estádios em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Pernambuco e no Rio Grande do Sul, oferecendo serviços durante shows e jogos de futebol.
Neste ano, Dias vai expandir a presença em arenas. Para garantir a presença nesses estádios, o empresário reuniu uma equipe em cada cidade, que é acionada em dias de evento. Incluindo esses funcionários somados os da loja da capital paulista, o estúdio hoje conta com 70 tatuadores.
“Com essa mão de obra de qualidade e treinada, o próximo passo é abrir uma loja em cada cidade”, adianta Dias. Tornar o Venice Ink um empreendimento com franquias está nos planos.