Midterms nos EUA: como resultado pode impactar mercado no Brasil?
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O Ibovespa superou nesta segunda-feira (5) os 200 mil pontos pela primeira vez, pouco mais de sete anos depois de ter fechado acima dos 100 mil pontos, em junho de 2019.
Na máxima do pregão, o principal índice da B3 chegou aos 209.605 pontos, depois de ter encerrado a sessão anterior aos 192.114 pontos.
A passagem dos 100 mil aos 200 mil, porém, esteve longe de ser linear. O índice avançou até os 130 mil pontos em junho de 2021, mas depois levou quase quatro anos para conquistar os 140 mil.
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A partir dali, a escalada ganhou velocidade.
O Ibovespa fechou acima dos 100 mil pontos pela primeira vez em 19 de junho de 2019, aos 100.303,41 pontos. Naquele pregão, o índice avançou 0,9%, em uma sessão marcada pela decisão de juros do Federal Reserve e pelas expectativas de flexibilização monetária nos Estados Unidos.
Menos de seis meses depois, em dezembro, veio outra marca: o Ibovespa fechou acima dos 110 mil pontos pela primeira vez, aos 110.300,93 pontos. O avanço ocorreu em meio ao alívio nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China, à alta do petróleo e a dados positivos da economia brasileira.
A barreira dos 120 mil foi superada no fechamento em janeiro de 2021. Em 7 de janeiro daquele ano, o índice terminou aos 122.385,92 pontos, impulsionado principalmente por bancos e empresas ligadas a commodities.
Os 130 mil chegaram em junho de 2021. Naquele período, o índice renovava sucessivamente as máximas históricas, beneficiado pelo desempenho das commodities e por dados econômicos melhores que o esperado.
Foi então que a caminhada perdeu ritmo.
Entre os 130 mil pontos, em junho de 2021, e os 140 mil, em maio de 2025, transcorreram quase quatro anos. Em 20 de maio de 2025, o Ibovespa fechou acima dos 140 mil pela primeira vez, aos 140.109,63 pontos.
A partir dali, o ritmo mudou.
Em 3 de novembro de 2025, o índice superou os 150 mil pontos no fechamento, aos 150.454,24 pontos. O movimento fazia parte de uma sequência de recordes que marcou o fim daquele ano.
No mês seguinte vieram os 160 mil. Já no início de 2026, o Ibovespa atravessou os 170 mil e, apenas seis dias depois, os 180 mil pontos. Em 20 de fevereiro, fechou acima dos 190 mil pela primeira vez, aos 190.534,42 pontos.
Nesta segunda-feira, o índice acrescentou mais um marco à sequência ao atravessar os 200 mil pontos pela primeira vez.
O maior intervalo recente aconteceu entre 130 mil e 140 mil pontos: quase quatro anos. Já entre os 170 mil e os 180 mil, em janeiro de 2026, transcorreram apenas seis dias.
Esse contraste mostra que a evolução do Ibovespa não acontece em ritmo constante. Há períodos em que o índice passa anos sem conquistar um novo degrau de 10 mil pontos e outros em que vários níveis são superados em poucos meses — ou mesmo dias.
A aceleração recente chama atenção. Depois de levar quase quatro anos para sair dos 130 mil e chegar aos 140 mil, o índice superou os 60 mil pontos seguintes em cerca de 16 meses.
Há também um efeito matemático importante nessa trajetória.
Quando o Ibovespa estava nos 100 mil pontos, conquistar outros 10 mil exigia uma valorização de 10%.
Já a passagem dos 190 mil para os 200 mil corresponde a um avanço de aproximadamente 5,3%.
Isso significa que, à medida que a base do índice aumenta, cada novo degrau nominal de 10 mil pontos representa uma valorização percentual menor.
Essa diferença matemática ajuda a colocar em perspectiva a velocidade de alguns marcos recentes, embora o tempo necessário para atingi-los dependa, naturalmente, do desempenho do mercado.
Se a caminhada dos 100 mil aos 200 mil levou pouco mais de sete anos, a trajetória anterior foi muito mais longa.
O Ibovespa fechou acima dos 10 mil pontos em 2 de maio de 1997. Foram necessários mais de seis anos para atingir os 20 mil, em novembro de 2003.
A aceleração veio nos anos seguintes. Os 30 mil foram alcançados em setembro de 2005; os 40 mil, em abril de 2006; e os 50 mil pontos foram superados pela primeira vez em maio de 2007, quando o índice encerrou a sessão aos 50.218 pontos.
Poucos meses depois, em setembro daquele ano, o Ibovespa já havia rompido os 60 mil pontos, fechando aos 61.052 pontos em meio a uma sequência de recordes.
Em maio de 2008 vieram os 70 mil. Mas justamente ali começa o maior hiato da cronologia.
O maior intervalo da sequência está entre os 70 mil e os 80 mil pontos.
O Ibovespa superou os 70 mil em maio de 2008, poucos meses antes do agravamento da crise financeira internacional. Naquele ano, o colapso do sistema financeiro global provocaria uma queda profunda nas bolsas e interromperia a sequência de recordes.
A marca dos 80 mil só seria alcançada novamente quase uma década depois, em 17 de janeiro de 2018, quando o índice fechou aos 81.189 pontos.
Depois disso, os marcos voltaram a se suceder rapidamente. Os 90 mil pontos chegaram em janeiro de 2019, e apenas cinco meses depois veio o fechamento histórico acima dos 100 mil.
A comparação resume bem a irregularidade dessa trajetória: foram quase dez anos para passar dos 70 mil aos 80 mil no fechamento, enquanto pouco mais de sete anos separaram o primeiro fechamento acima dos 100 mil da primeira vez em que o índice superou os 200 mil durante um pregão.
Fonte: matéria publicada originalmente em InfoMoney. Reproduzimos o conteúdo aqui, com crédito ao veículo de origem.
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