Grávida da segunda filha e desempregada em 2017, Thayany dos Santos fundou a Picolé Gourmet da Thay, no Recife (PE). Nove anos após o início caseiro, a empresa alcançou um faturamento anual de R$ 1,4 milhão, com um catálogo de mais de 30 sabores e volume de produção que atinge 20 mil unidades por mês.
A ideia surgiu a partir da sugestão de uma prima, inspirada pelo trabalho de uma vendedora de rua. “Passou uma menina aqui, toda sexta ela passa, bem arrumada, puxando um carrinho, vendendo. Eu fiquei com aquilo no coração”, afirma Santos. Sem capital inicial, o suporte partiu da família. A esposa do pai da fundadora cedeu insumos básicos de seu comércio: “Ela disse para eu entrar e pegar o que quisesse. Peguei leite condensado, creme de leite e leite em pó”.
A primeira remessa rendeu cerca de 15 unidades. O processamento era feito no eletrodoméstico de uso residencial, que quebrou sob a demanda das misturas densas. “Eu quebrei vários [liquidificadores], acho que uns 15”, relata Santos.
As dificuldades operacionais aumentaram durante a pandemia, período em que a fundadora cogitou interromper as atividades. A entrada de Felipe Miguel, seu companheiro e sócio, reorganizou a gestão. “Eu sempre tive o sonho de ser empreendedor e trabalhar para mim mesmo, mas não sabia que era tão árduo quanto trabalhar para os outros. O picolé virou um sonho meu também”, afirma Felipe Miguel.
O reposicionamento do produto foi central para a escala. O item, conhecido regionalmente como sacolé, dindim ou chup-chup, foi desenvolvido com apelo de sobremesa pronta. O portfólio passou a incorporar versões como pavê, pudim e cheesecake de frutas vermelhas. Em paralelo, a empresa substituiu as embalagens genéricas por plástico personalizado com a marca, impresso em São Paulo. “Quando a gente fez a embalagem, as vendas subiram rapidamente”, diz Santos.
A operação fabril atual conta com uma equipe de sete mulheres em linha de produção setorizada. A divisão é estruturada em etapas: preparo das bases, elaboração dos recheios e ensaque. A marca também opera um ponto de venda físico com mais de 100 metros quadrados.
A projeção de mercado aumentou após a marca atender o aniversário do filho do cantor João Gomes, contratada por Ary Mirelle pelas redes sociais. “Eu passava pela festa servindo na bandeja. As pessoas provavam, elogiavam e perguntavam de onde era. Ali comecei a captar muitos clientes corporativos e de eventos”, conta Santos.
O plano atual da empresa é captar recursos financeiros para a montagem de uma planta industrial em um galpão já locado. A nova estrutura prevê setores técnicos isolados, incluindo áreas de manipulação, estoque, expedição e câmaras frias.
Santos avalia que a etapa industrial exigirá disciplina operacional. “O picolé mudou a minha vida. Começou com algo simples, mas construído com dedicação. Agora o foco é estruturar a fábrica com esses processos”, conclui a fundadora.
Veja a seguir a reportagem completa, que foi ao ar no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da TV Globo:
O sabor da superação: a empreendedora que transformou picolés em um negócio milionário