Confeiteira do RJ vende 650 unidades de morango cravejado em um dia e dobra o faturamento da empresa

Imagem: pegn

De maracujá, com dupla camada de chocolate, folhado, de pistache, de picolé, copo, cone, sacolé, de pistache: o morango cravejado é a febre atual, e confeiteiros vem explorando ao máximo sua criatividade nas redes sociais para reinventar a receita. Mas o sucesso não é só virtual.

Na Mila & Jajá, confeitaria da empreendedora fluminense Camila Marques, o morango cravejado vem trazendo retornos financeiros que, segundo ela, não parecem passageiros. As primeiras 50 unidades dele foram feitas em 22 de agosto; duas semanas depois, em 4 de setembro, a sobremesa atingiu seu pico comercial na empresa, com 650 unidades vendidas por R$ 16 cada uma. Sozinho, o quitute representou R$ 10,4 mil em vendas em um único dia.

“Dependendo do dia e da unidade, tivemos aumentos entre 60% e 100% no faturamento diário. Em alguns dias, literalmente dobramos o faturamento que tínhamos antes do lançamento”, celebra a confeiteira. No último domingo (6), ela conta que as três lojas da Mila & Jajá, localizadas em Sâo Gonçado e Niterói (RJ), faturaram cerca de R$ 40 mil, o dobro do domingo anterior, que registrava R$ 20 mil – e esse crescimento não é referente somente ao morango cravejado.

Segundo a empresária, a repercussão do doce nas redes sociais atraiu clientes que também consumiram outros produtos da loja, o que impulsionou as vendas, além do preço acessível do morango cravejado. Embora seu custo de produção seja mais alto pelo adicional do chocolate, em comparação com o seu antecessor, o morango do amor, Marques explica que a estratégia é “trabalhar com volume”.

“Prefiro ganhar na quantidade, mantendo um preço acessível para que mais pessoas possam experimentar o produto. Decidimos manter os R$ 16 e apostar no giro e no alto volume de vendas”, explica.

No mesmo período do ano passado, o morango do amor, coberto com brigadeiro branco e uma camada de caramelo vermelho, era vendido por R$ 15 e teve um desempenho ainda maior em volume. “No auge dele, chegamos a vender mais de 2 mil unidades em um único dia”, revela.

Apesar disso, ela explica a que o retorno dos clientes está sendo positivo, com muitos deles afirmando que preferem o cravejado ao do amor. Essa aprovacão do público, para ela, é justificada pelo contraste de texturas na sobremesa, que une o brigadeiro cremoso e a crocância da calda de caramelo.

“Diferente de outros produtos que acompanham uma tendência e depois saem do cardápio, acredito que o Morango Cravejado veio para ficar. Nossa intenção é mantê-lo no cardápio definitivo. O viral trouxe as pessoas até ele, mas foi o sabor que fez elas voltarem”, diz.

Cravejado se transformou em uma linha na confeitaria

Em momentos de tendências que dominam as redes sociais e as confeitarias, a criatividade é o que impulsiona ainda mais o desejo do público de experimentar todas as versões de um doce que ele já conhece e ama. Na Mila & Jajá, o desejo de evitar desperdícios entrou na soma para a reinvenção do doce, como no Copo Cravejado, vendido por R$ 21,90, uma versão para comer de colher do quitute.

Segundo a confeiteira, morangos menores que não são usados para os Cravejados e lasquinhas de chocolate branco com pedacinhos de caramelo vermelho são transformados em no outro produto, que possui um brigadeiro mais cremoso para comer de colher.

“A gente consegue transformar, com outra proposta e experiência para o cliente, trabalhando com criatividade, reduzindo desperdício e aumentando a rentabilidade da matéria-prima que já compramos”, diz.

Além do Copo Cravejado, a confeiteira também incluiu no cardápio o Picolé Cravejado, vendido por R$ 20. Diariamente, são produzidas cerca de 200 unidades na empresa. Para Marques, a ideia é continuar explorando o doce e desenvolvendo novos produtos, avaliando a receptividade do público antes de torná-lo fixo no cardápio.

“A gente percebeu que o cravejado deixou de ser apenas um produto e começou a se transformar em uma linha dentro da Mila & Jajá. E queremos aproveitar esse movimento com criatividade, sem perder a essência artesanal da marca”, define.

Confeitaria nasceu da necessidade de ter uma renda extra

Por trás do fenômeno do cravejado, há uma equipe composta por 11 pessoas. Duas foram contratadas nas últimas semanas para ajudar com a demanda recente. Mas, na época da criação da Mila & Jajá, quem cuidava de todas as frentes do que ainda não era uma empresa era somente Camila Marques.

A produção dos doces, que hoje assume figura central em sua vida, comecou como uma forma de conseguir renda extra em um momento em que ela e sua família foram morar de favor e precisaram se desfazer de todos os móveis. Quando a situacao não deu certo e eles saíram dessa residência temporária, se viram sem nada.

Foi nessa época, em 2017, que Marques decidiu começar a vender doces no seu trabalho, uma empresa de telemarketing, com um investimento inicial de cerca de R$ 100. Essa quantia, segundo ela, foi usada para comprar ingredientes necessários para começar a vender, e a cada nova leva comercializada, ela voltava ao supermercado para adquirir mais suprimentos. Essa técnica de reinvestir todo o lucro é mantida até hoje na empresa.

“Meu objetivo era muito simples, conseguir dinheiro pros móveis da nossa casa. Meus colegas compravam pra me ajudar e, aos poucos, começou a crescer”.

Enquanto ela iniciava o negócio no trabalho, seu filho mais velho, Weslley, o Jajá, aos 11 anos, também vendia os doces na escola. É por isso que a empresa carrega o nome dos dois, já que o sonho da confeitaria foi construído em conjunto.

“Foram três anos trabalhando dentro de casa, crescendo aos poucos e reinvestindo no negócio, e o incentivo para deixar meu outro emprego veio da minha própria chefe no telemarketing, que enxergava que aquilo tinha potencial para dar certo”.

A primeira loja da Mila & Jajá foi inaugurada em 2020 em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Segundo Marques, os custos dessa primeira unidade envolveram uma reforma completa no espaço, além da compra de todos os equiopamentos necessários, requerendo um investimento de R$ 80 mil.

A segunda unidade, inaugurada em Niterói em 2022, também exigiu um investimento de R$ 80 com estruturação e equipamentos. Já para a terceira, também em Niterói, foram investidos R$ 60 mil. A confeiteira prefere, por uma questão estratégica e de segurança, não divulgar o faturamento da empresa, mas ressalta que “sempre tivemos uma cultura muito forte de reinvestir o lucro na empresa, seja em estrutura, equipe, equipamentos ou na abertura de novas unidades”.

Além das três lojas, a Mila & Jajá também pode ser comercializada por um delivery próprio, contactado por meio do Instagram da marca. Mesmo sem as grandes empresas de entrega, Marques explica que construiu uma comunidade que acompanha a marca diariamente, já que esse é o canal que ela usa para divulgar seus doces desde o início.

“Quando muita gente ainda estava descobrindo o delivery, nós já tínhamos construído uma clientela e aprendido a vender pelas redes sociais”, pondera. O meio digital, por exemplo, será o grande foco da empreendedora em 2027. Após experimentar a venda de e-books de receitas, onde alcançou 700 alunos, ela espera se consolidar ainda mais como professora.

“Quero compartilhar tudo o que aprendi ao longo dessa trajetória, trabalhar com cursos, mentorias, aulas presenciais e produtos digitais”, explica Marques, que deseja ensinar não somente receitas, mas também delivery, vendas, gestão de pessoas e tudo que fez parte da construção da Mila & Jajá.

Fonte: matéria publicada originalmente em pegn. Reproduzimos o conteúdo aqui, com crédito ao veículo de origem.

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