Quando a torcida organiza do time de Rogério Maldonado precisou de uma bandeira para levar a um jogo, ele não pensou duas vezes: comprou o pano, levou para a costureira, desenhou e pintou com a técnica e a experiência que ele já tinha com maquiagem artística. O empreendedor não imaginava, contudo, que a criação feita no improviso se tornaria sua profissão.
Natural de Diadema, na Região Metropolitana de São Paulo, Maldonado passou a aceitar pedidos de bandeiras para outras torcidas, mas ainda sem equipe e produção própria. Na época, ele mandava o item ser feito por fora, buscava e levava até a costureira para finalizá-lo e só então entregava ao cliente.
A perspectiva de que o negócio havia crescido e alcançado outro patamar, e que ele precisava se profissionalizar, veio quando um cliente pediu nota fiscal pelo pedido. Nesse momento, o empresário abriu um MEI e investiu R$ 80 mil para ampliar a Bandeiras Digitalizadas, cujo processo criativo envolve o planejamento e desenho da arte no papel, que é transferida para a digitalizacão no computador, impressa no tecido, que é cortado e costurado por partes.
A atenção aos detalhes, segundo Maldonado, é uma das partes mais importantes da produção das bandeiras, já que são por meio de marcações indicando qual o lado certo que o torcedor, no estádio, não erra e abre ao contrário.
“Tem marcação interna na bandeira pra na hora de abrir na arquibancada, nao correr o risco de pegar o lado errado e abrir a bandeira errado, colocamos escrito ‘Parte de cima’ e ‘Parte de baixo’”, conta.
Hoje, a empresa conta com cerca de 11 colaboradores e tem faturamento mensal de R$ 40 mil, além de produzir “tudo que você pensar em impressão em tecido”. Seu catálogo também foi ampliado e, atualmente, ele atende, para além de bandeiras, bandeirões, faixas, mosaicox e camisão de estádios, ações e eventos de empresas e promocionais.
Ainda assim, as criações mais grandiosas são para os times de futebol. “A maior bandeira que já criei foi para o Fluminense, teve 220 metros de comprimento por 90 metros de altura, , fechou o setor sul do [Estádio do] Maracanã inteiro”, se orgulha.
Outra grande produção foi feita em 2025 para os 95 anos do aniversário do São Paulo Futebol Clube, onde o empreendedor diz que vestiu o MorumBIS.
O vice-presidente de uma das torcidas organizadas do Corinthians, a Estopim da Fiel, Johnny’s Rocha “Carranca”, um dos clientes de Maldonado, explica que a bandeira representa “todo o esforço que a gente faz no dia a dia” em prol do time, uma vez que, para as torcidas, o jogo não começa somente no domingo. “É de uma segunda a outra”.
Confira a seguir a reportagem completa exibida no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da Globo:
De torcedor a empresário: o negócio por trás dos bandeirões