O designer Giovane Alves publicou um vídeo em seu perfil no TikTok com o momento em que uma colega de trabalho retirava adesivos do notebook corporativo após pedir demissão. A postagem, feita na última semana, acumula cerca de 250 mil visualizações na rede social.
Na gravação, acompanhada por uma música instrumental de tom melancólico, a profissional remove individualmente as etiquetas coladas na carcaça do computador. A legenda do vídeo contextualiza a cena: “POV: você pediu demissão e no último dia precisa devolver o notebook sem adesivos”.
A publicação dividiu opiniões nos comentários. Parte dos usuários questionou a prática de colar itens pessoais em equipamentos da empresa. “Pra que colocar? Nunca entendi, o negócio não é de uso pessoal”, escreveu uma seguidora. Outro perfil relatou uma atitude diferente ao encerrar o vínculo profissional: “Eu devolvi cheio de adesivo. Eles me demitiram, eles que tirem”.
Em uma segunda publicação (agora apagada) na mesma rede social, Alves respondeu às críticas que consideravam a prática “sem noção”. No vídeo, a câmera percorria a sede da empresa e exibia as bancadas de trabalho, onde a maioria dos computadores dos colaboradores aparecia repleta de adesivos coloridos — muitos deles estampando marcas da própria companhia. A gravação buscava demonstrar que o hábito faz parte da cultura interna do ambiente corporativo da empresa.
A empresa que aparece no vídeo foi procurada por , mas preferiu não se manifestar. O espaço segue aberto.
Pode colar adesivo em notebook corporativo?
A personalização de equipamentos de trabalho levanta dúvidas sobre os limites entre a cultura da empresa e a preservação do patrimônio. Segundo Joana Moreira, executiva de recursos humanos com atuação regional na América Latina, as organizações têm o direito de estabelecer critérios para o uso dos ativos fornecidos aos colaboradores.
“A empresa pode, sim, estabelecer regras para o uso e a personalização dos equipamentos que fornece aos colaboradores. O notebook é um ativo da organização e, por isso, faz sentido existirem orientações sobre o que pode ou não ser feito nele”, afirma Moreira.
A executiva ressalta que as diretrizes sobre a devolução devem ser transparentes desde a contratação. “Na devolução, é razoável que a empresa espere receber o equipamento nas condições previstas em sua política de uso e conservação. Se existe uma orientação de que o notebook deve ser devolvido sem adesivos, por exemplo, isso precisa estar claro desde o momento em que o equipamento é entregue”, avalia.
Caso ocorram danos ao computador durante a remoção dos adesivos, a especialista aponta que a responsabilização não deve ser automática. “Se a remoção de um adesivo provocar algum prejuízo ao equipamento, é preciso entender as circunstâncias, as orientações que foram dadas e a responsabilidade de cada parte. Não se trata simplesmente de transferir qualquer custo para o colaborador”, pontua Moreira, destacando que cabe ao setor de RH equilibrar autonomia e diretrizes claras para evitar conflitos no encerramento dos contratos.