Após anos de forte correção, o mercado brasileiro de venture capital mostra que segue ativo. Um novo levantamento da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) indica que, entre janeiro e agosto deste ano, as startups captaram R$ 3 bilhões em 54 rodadas. No mesmo período de 2025, foram R$ 3,67 bilhões em 60 rodadas.
O cenário de investimento de venture capital mudou desde a pandemia, com os fundos ficando mais exigentes e investindo em startups que mostram um crescimento real. Com a taxa de juros alta, o capital é direcionado para alternativas com menos risco. A baixa liquidez da modalidade também afasta investidores.
Nos últimos anos, o ecossistema enfrentou oscilações. O estudo mostra que, ao longo de 2023, as startups brasileiras levantaram R$ 7,3 bilhões em 227 rodadas. No ano seguinte, foram R$ 9,2 bilhões em 129 rodadas. Em 2025, o total foi de R$ 6,5 bilhões em 96 rodadas. Após a retração observada entre 2024 e 2025, os números de 2026 até agora podem indicar que o mercado encontrou um novo patamar de equilíbrio.
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O relatório, realizado em parceria com a TTR Data, aponta que, no ano passado, 90,6% do valor investido foi para o early stage. A situação foi similar neste ano: 87% dos investimentos foram feitos em startups no início da jornada.
“É uma indústria que tem se provado resiliente, apesar dos ciclos econômicos brasileiros”, afirmou Priscila Rodrigues, presidente da ABVCAP, no VC Day, evento realizado pela associação na semana passada. André Maciel, fundador da gestora Volpe Capital, também participou do encontro e ressaltou que, particularmente no ecossistema de inovação, pode haver desconexão entre os “ruídos de curto prazo” e a evolução de negócios ligados à tecnologia, que tendem a se beneficiar de ferramentas como a inteligência artificial.
O relatório da ABVCAP também traz números sobre a atuação de fundos de Corporate Venture Capital (CVC) – aqueles atrelados a empresas – no país. Entre janeiro e agosto de 2025, 24 rodadas contaram com pelo menos uma firma de CVC, somando R$ 646,9 milhões investidos. Neste ano, 15 rodadas foram realizadas, totalizando R$ 417,7 milhões aportados.
Entre os destaques deste período estão as rodadas de Mercado Bitcoin, que contou com investimento do SoftBank; Mevo, que atraiu a Panvel Farmácias; e Franq Openbank, que recebeu um cheque da Globo Ventures.