Depois da ligação entre os presidentes Lula e Donald Trump, os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, se reuniram nesta segunda-feira com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, para discutir o tarifaço imposto pelos americanos aos produtos brasileiros.
A reunião virtual durou cerca de 35 minutos e terminou sem avanço concreto.
Em nota divulgada logo após o encontro, o governo brasileiro reafirmou que busca o diálogo para rever as tarifas. Além disso, os dois países concordaram em voltar a se reunir em data que ainda será programada, “a fim de revisar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas que serão realizadas nas próximas semanas”. As próximas reuniões podem ser virtuais ou presenciais.
“O lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanas, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países”, diz nota divulgada pelos Ministérios de Relações Exteriores e do Desenvolvimento.
Segundo técnicos a par do assunto, um novo encontro ainda não foi marcado e também ainda não há previsão para os próximos passos.
Contudo, como o diálogo entre os dois países estava suspenso há quase dois meses, não se esperava decisões e, agora cabe avaliar de que forma a retomada das conversar vão prosseguir. De qualquer forma,, avaliam interlocutores, os canais de diálogo foram reabertos, o que é positivo para o Brasil, que nunca deixou de lado a via da negociação.
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De acordo com o comunicado, os ministros reiteraram que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, “que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio”.
Em julho, os Estados Unidos anunciaram a decisão de aplicar as tarifas de 25% e 12,5% sobre os produtos exportados para o mercado americano — as taxas se somam.
Levantamento do ministério aponta que 52,7% da pauta exportadora para os estados não enfrenta imposição de sobretaxa e 47,3%, estão sujeitos a alguma tarifa. Segundo a pasta, 8,6 mil empresas estão sendo afetadas pelo tarifaço.
Na nota, o governo brasileiro disse que os ministros indicaram que as justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio americana “não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil”.
O governo brasileiro repetiu ainda que seguirá perseguindo “um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional”.