“Empreender é coisa de louco”, segundo o fundador da Cacau Show
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O Ibovespa teve forte queda nesta quarta-feira (28) após uma terça mais “tranquila”, seguindo os ajustes pós-eleição, com investidores também de olho na temporada de balanços, que incluía os números de Santander Brasil (SANB11) e Hypera (HYPE3), e analisando potenciais desdobramentos da ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. Além disso, também esteve em destaque a decisão de política monetária nos EUA, que manteve a taxa de juros em 3,75% a 4%, em linha com o esperado e não mudando a trajetória de baixa do mercado doméstico.
Na segunda pós-eleição, cabe destacar, o índice desabou 13,88% e o circuit breaker foi acionado em meio à forte queda dos mercados com a reeleição de Lula.
O Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caiu 2,68%, a 171.006,10 pontos, após ter chegado a cair mais de 3% mais cedo.
“O Ibovespa segue pressionado pelos ajustes após a reeleição do presidente Lula. O mercado continua buscando sinais mais claros sobre um ajuste fiscal crível, a contenção dos gastos, a trajetória da dívida pública e a definição da futura equipe econômica, fatores que seguem determinantes para a formação de preços dos ativos domésticos”, avalia Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil.
Também na visão de analistas do Itaú BBA, o Ibovespa não apresenta um sinal consistente de recuperação, mesmo após a forte correção na segunda-feira. “A máxima “caiu, comprou” não se aplica automaticamente ao momento atual, com o índice de volta a patamares observados em agosto. Antes de buscar novas oportunidades, será importante observar sinais gráficos que ajudem a definir a próxima direção do mercado”, afirmaram no relatório Diário do Grafista.
De acordo com a estrategista de ações Rebecca Nossig, da Nomad, a bolsa brasileira segue impactada pelas repercussões políticas e econômicas do período pós-eleitoral. “Os agentes financeiros monitoram de perto os sinais sobre a formação da equipe econômica do governo e as perspectivas para a condução das contas públicas a partir do próximo ano”, afirmou.
No campo político, o senador Flávio Bolsonaro desembarcou nesta quarta-feira em um aeroporto de Miami de uma aeronave particular, mostraram imagens da Reuters TV, depois de o parlamentar descumprir decisão da Justiça que determinou que ele entregasse seus passaportes após a derrota na eleição presidencial no domingo.
Para analistas do Citi, o episódio tem três implicações principais, sendo uma delas a redução quase a zero das chances de contestação ou reversão do resultado eleitoral. Eles também citaram que ele enfraquece o protagonismo político da família Bolsonaro na direita, abrindo espaço para novas lideranças e diminui a probabilidade de novos movimentos de rua questionando o desfecho eleitoral.
“Os balanços de Microsoft e Alphabet também permanecem no radar por sua capacidade de influenciar o humor global, especialmente em tecnologia, inteligência artificial e computação em nuvem. Para o mercado brasileiro, porém, o comportamento do Ibovespa mostra que, neste momento, os fatores domésticos seguem predominantes: a combinação entre dúvidas fiscais, indefinição sobre a equipe econômica e expectativa pela decisão do Fed mantém a volatilidade elevada e reduz a força de uma eventual recuperação ao longo do pregão”, avalia Araújo, da ZERO Markets.
Hoje, o Federal Reserve manteve as taxas de juros em decisão não unânime, com dois votos divergentes pedindo alta de 0,25 ponto percentual. A única alteração foi o cronograma do Fed, que passa a ter uma decisão a menos de juros por ano.
Mesmo assim, o mercado não mudou sua visão do que vem pela frente: espera nova alta de juros em dezembro, passadas as eleições de meio de mandato nos EUA, que acontecem terça-feira que vem (3).
“Bancos puxando, com queda forte. O que ‘salva’ é Petrobras, que recuou bem pouco”, diz Luciano França, sócio-fundador, gestor de renda variável da Paramis Avantgarde.
Além disso, está no radar relato de que a equipe econômica do governo federal estuda cobrar Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre títulos que hoje são isentos de Imposto de Renda – Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e debêntures incentivadas. Hoje, a alíquota de IOF sobre essas aplicações é zero.
“O cenário de credito privado seguirá desafiador. O que dá esse tom mais negativo à Bolsa é essa ideia de tributação em títulos isentos. Acaba afetando a pessoa física na ponta. Empresas que dependem de captação de títulos isentos sofrem. Afeta setores como imobiliário, de infraestrutura”, diz França, da Paramis.
O nível de incerteza fiscal segue elevado. “O mercado espera algum sinal sobre austeridade fiscal. O governo parece não reagir muito neste sentido. Pelo teor da disputa eleitoral no segundo turno, há dúvida enorme sobre se isso vai acontecer”, afirma Gabriel Gonçalves, analista de alocação da Ghia Multi Family Office.
Ainda, a equipe econômica do presidente Lula prepara um projeto de lei complementar (PLP) para que, a partir de 2027, o governo possa controlar os gastos para alcançar o centro da meta de superávit primário para aquele ano, de R$ 73,2 bilhões, ou 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
“O mercado ainda espera alguma sinalização mais concreta quanto ao fiscal. Isso é o que poderia acalmar ou reverter parte dessa queda”, diz Renato Widmer, CIO e gestor da Aurum Wealth Management.
Para Heitor de Nicola, especialista em renda variável da AVIN, a volatilidade hoje tende a permanecer elevada, enquanto o mercado ainda aguarda sinais mais concretos sobre a trajetória das contas públicas e as prioridades econômicas do próximo governo.
(com Reuters e Estadão Conteúdo)
Fonte: matéria publicada originalmente em InfoMoney. Reproduzimos o conteúdo aqui, com crédito ao veículo de origem.
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