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Garçom é criticado após expor na internet cliente que deixou gorjeta de 3% em conta de R$ 4,5 mil

Um garçom nos Estados Unidos gerou polêmica nas redes sociais após divulgar a identidade de um cliente que deixou uma gorjeta de US$ 30, ou R$ 163 (cerca de 3,6% do valor total) em uma conta que chegou a US$ 834 (em torno de R$ 4,5 mil). Insatisfeito, o funcionário publicou uma foto do comprovante de pagamento no Facebook e o perfil do cliente no LinkedIn.

O episódio teria acontecido no início de outubro e, segundo o portal The Sun, o funcionário reclamou do tempo e do esforço dedicados ao atendimento do cliente, que ocupou uma mesa grande no restaurante em que ele trabalha. O caso chegou a repercutir no Reddit, onde usuários ficaram com a opinião dividida sobre a situação: enquanto parte entendeu a frustração do cliente, outra parte o criticou por ter exposto a identidade da pessoa.

Para se ter uma ideia, o valor total do jantar foi de US$ 834,07, cerca de R$ 4.535,09. Com a gorjeta de US$ 30, ou R$ 163,12, valor que corresponde a 3,6% do subtotal da conta, o pagamento chegou a US$ 864,07, ou R$ 4.698,21.

Uma gorjeta tradicional de 15%, por exemplo, representaria US$ 111,7, ou R$ 607,35, enquanto uma de 20%, seria US$ 148,94, ou R$ 809,83.

Na perspectiva do funcionário, essa situação representou a perda da oportunidade de receber uma gorjeta maior, principalmente porque, nos Estados Unidos, muitos estabelecimentos já incluem uma gorjeta automática na conta ou sugerem porcentagem que variam entre 10% e 25% ao cliente.

Embora os consumidores tenham o direito de decidir se querem ou não deixar gorjetas nos espaços, essas quantias costumam representar parte significativa do salário final do trabalhador norte-americano.

Nas redes, usuários questionaram se o cliente não achou que a taxa já estivesse incluída na conta, enquanto outro defendeu que gorjetas abaixo de 20% “não deveriam ser oferecidas”.

A maior parte das reações, porém, criticou a exposição do cliente. Para esses usuários, divulgar informações pessoais e profissionais de alguém por causa de uma gorjeta considerada baixa foi uma atitude antiprofissional e desproporcional.

“Como alguém que já trabalhou como garçom, acho isso inacreditável”, escreveu uma pessoa. Ela contou que já havia recebido gorjetas menores do que esperava, mas nunca pensou em procurar o cliente nas redes sociais e expor seu perfil em um grupo.

Houve também quem questionasse a lógica de calcular a gorjeta com base no preço da refeição, argumentando que o trabalho de levar um prato caro à mesa não é necessariamente mais difícil do que servir um café.

E no Brasil, a gorjeta é obrigatória?

Não, no Brasil o cliente não é obrigado a dar gorjeta, embora também seja um costume entendido como reconhecimento e agradecimento pelo bom atendimento de um espaço, afirma Leonardo Morau, advogado especialista em Direito do Consumidor e sócio da TT&Co.

Segundo Morau, cabe ao estabelecimento sugerir o valor da gorjeta e, ao consumidor, a decisão de aceitar o percentual, sugerir outro ou se recusar a pagar. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a taxa de servico padrão sugerida pelos espaços varia entre 8% e 13%.

Contudo, Juliana Mendonça, sócia do Lara Martins & Advogados, mestre em Direito e especialista em Direito e Processo do Trabalho, lembra que o artigo 457, parágrafo 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), estabelece que as gorjetas, sejam dadas diretamente pelos clientes, sejam cobradas em notas fiscais, “são consideradas parte da remuneração do trabalhador, desde que estejam previstas no contrato de trabalho ou na política da empresa”.

Fonte: matéria publicada originalmente em pegn. Reproduzimos o conteúdo aqui, com crédito ao veículo de origem.

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